A Máquina Diabólica

Atualizado: Ago 4



O avô Manuel fez com que a sua neta Joana de onze anos se sentasse próxima à lareira quente. Era hábito contar histórias de terror à jovem que amava o sobrenatural. Os pais detestavam este hábito, mas o avô Manuel queria mantê-lo. Ler histórias de terror fariam a neta uma mulher forte, sem medo de nada.


– Querida neta, hoje vou contar-te uma história de seu título "A máquina diabólica”.


A neta sorriu, satisfeita. Começou a ouvir atentamente.


– Era uma vez um escritor antissocial que escrevia de forma inocente e ingénua. O homem era um romântico e a sua escrita também revelava isso. Todos os dias às quatorze horas, depois do almoço, sentava-se na sua cadeira habitual e escrevia três parágrafos, enquanto engolia pequenos goles de café quente. Certo dia, estava a escrever a palavra "agradável viagem" quando a máquina, misteriosamente, escreveu "agradável virgem". O escritor raramente se enganava e achou estranho esse seu erro. Vários dias se passaram e ele continuou a errar. Certa vez, os erros passaram a tornar-se graves.


A neta abriu a boca de espanto. O avô fez uma pausa, percebendo a reação. Depois, prosseguiu.


– Palavras como "morte", "mutilação", "suicídio", "assassinato" apareciam como erros. O homem ficou possesso e transformou-se por completo. Falou para a máquina: "Queres policiais?! Então, terás!". No dia seguinte, escreveu um policial inteiro sem erros por parte da máquina de escrever. O escritor sorriu e colocou o seu plano diabólico em prática. Depois desse dia, iria tentar matar a máquina de escrever. Iria escrever algo sobre uma máquina morta pelo seu escritor.


– E o que aconteceu, avô?


– Bem, nesse dia o escritor bem tentou, mas a máquina sempre o deixava enganar-se. Até que, repentinamente, dá um salto de espanto na sua cadeira. A máquina estava a escrever mais do que uma palavra. Estava a escrever frases inteiras. Não teve sequer tempo para saber o que ela escrevia pois acabou por cair da cadeira, inanimado.


– Morreu? – A neta tentou adivinhar. O avô confirmou.


– Tinha acabado por morrer. Sabes qual foi a última frase a ser escrita, querida neta?


A jovem abanou a cabeça, negando.


– "Era uma vez uma máquina que matou o seu escritor".



Conto por Diana Pinto

Ilustração por Rômulo Medeiros

Edição e revisão por Elisa Fonseca

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