Arquétipos do Tarot

Atualizado: Nov 22

Como usá-los para compor seus personagens e worldbuilding?


Olá, vocês, Perpétuos! Sabia que você pode utilizar os arquétipos do Tarot para enriquecer seu worldbuilding, personagens e narrativa? ⁣⁣⁣⁣⁣⁣⁣⁣⁣⁣

O Tarot é um jogo de baralho composto por 78 cartas, sendo 22 correspondentes aos Arcanos Maiores, que são figuras com nomes, e 56 correspondentes aos Arcanos Menores, que são as cartas com naipes. O jogo de Tarot representa um caminho evolutivo para o homem através dos símbolos. Para compreender como seria essa trajetória é preciso assimilar alguns conceitos e a simbologia das cartas. Jung foi um psicanalista que estudou o inconsciente coletivo. Um dos conceitos utilizados por ele foi o uso de arquétipos para o autoconhecimento humano. Apesar de ser terreno nebuloso onde algumas pessoas olham com preconceito, estudar e utilizar arquétipos pode trazer exatamente aquele diferencial que você procurava em suas histórias. Escolhemos algumas cartas do Tarot de Marselha para exemplificar o assunto.


O Louco


(arte produzida por @fabiilustras)

Jack Sparrow veste a figura do arquétipo do Louco. Seus traços são e únicos, raramente esquecidos pelo público. Além da inteligência e sagacidade do personagem para explorar o arquétipo, criou-se um personagem com a inteligência marcada junto da bizarrice, e com uma pitada de irresponsabilidade.


Já no worldbuilding você pode criar povos ou cidades que tenham como características predominantes, a graça e a loucura. Um exemplo do que podemos citar dentro do worldbuilding para se inspirar é a capital do Japão, Tokyo.



A Papisa


(arte produzida por @fabiilustras)

A papisa fala de uma figura feminina, onde seu desenvolvimento é interno. Conhecemos seus medos, seu principal objetivo e suas características para se tornar alguém poderosa, além de seu forte apelo para se tornar mãe. Acompanhamos sua evolução física e sua visão do mundo ser moldada a partir de seus objetivos.


O arquétipo da sacerdotisa fala da evolução da figura feminina através de uma narrativa de sua visão do mundo. Você pode se basear nesse arquétipo para a construção de seu personagem feminina ficar mais verossímil e interessante.

Como exemplo, temos Yennefer de Vengerberg. No seriado acompanhamos sua trajetória desde o descobrimento de sua magia, até se tornar uma feiticeira poderosa.


A Roda da Fortuna


A roda da fortuna é uma carta relacionada a términos de ciclos e inícios inesperados. Quer dizer, não exatamente. Para iniciar uma nova fase é preciso finalizar a anterior, mas existe uma continuidade, uma colheita trazida pelos feitos anteriores. O⁣ Arcano tende a nos avisar que os ciclos se repetem e farão isso, sem⁣ interrupção, até que a lição seja aprendida.


Um bom exemplo desse arquétipo está no livro "O Diário de Bridget Jones", de Helen Fielding. O livro gerou o filme e ambos tiveram um sucesso estrondoso. Bridget vive uma vida solitária e triste, por suas preocupações com seu peso e sua vida amorosa. Entretanto, a personagem é muito dedicada a seu trabalho e possui uma forma positiva de ver a vida. Ao longo do filme, acompanhamos ela iniciando uma nova fase, onde suas qualidades são percebidas e sua companhia é disputada.


Esse recurso pode ser visto em comédias românticas e dramas. Nas comédias românticas, normalmente, acompanhamos o início dos ciclos e nos dramas o fim, seguido de um início com superação.


A Força

(arte feita por @fabiilustra)

A carta “A força” mostra um arquétipo heroico. A carta não está somente relacionada com a força física, muito pelo contrário. Ela tem uma ligação mais forte com a coragem, inteligência emocional, superação, ímpeto, ação… Em resumo, todos os elementos que levam um indivíduo a se tornar um herói estão representados nesta carta, que geralmente vem retratada por uma jovem acariciando sua fera.


Eu poderia escolher o arco de diversos personagens, mas escolhi o Jon Snow, pois ele já nasceu sendo colocado à prova. Como filho bastardo, foi criado de forma diferente de seus irmãos, recebeu o desprezo e a indiferença de sua madrasta desde cedo. E quando o lorde Stark partiu para Porto Real, foi obrigado a se juntar à Patrulha da Noite. Lá, foi igualmente desprezado. Sua trajetória inteira é repleta de provas a serem superadas, mas ele triunfa sobre todas elas. Triunfa inclusive sobre a morte. Seu papel de liderança, quase imposto, se mostra em determinados momentos. É por isso que ele é munido pelo poder dessa carta.

O Diabo

O Diabo em sua trajetória traz um caos nítido ao longo da narrativa. Personagens como Ramsay Bolton, são odiados pelo público e se você quer fazer um vilão deste tipo, faça seus motivos serem plausíveis com a construção da história. Dê motivos concretos e não apenas um maniqueísmo de suas decisões. Ramsay se adapta ao arquétipo do diabo, onde temos uma visão de um personagem perturbado, movido por seu próprio egoísmo e que não mede esforços para alcançá-los.


A Torre


A torre é uma carta dramática. Quando ela cai nas mãos de uma leitura, indica que uma queda brusca pode acontecer com a pessoa em questão. Esse arquétipo é um bom recurso para gerar dramas, plow twists e obstáculos inesperados na vida do personagem.


Na obra “Kaito: reze para uma boa morte”, de Bruno Crispim, o protagonista é levado a uma viagem repentina para o Japão e acaba vendo o mundo acabar diante de seus olhos. Ele é retirado da rotina confortável que estava criando com sua prima e obrigado a lutar contra os “Azuis”, humanos renascidos e poderosos. Esse é um bom exemplo de como a trama pode se modificar completamente, mas não é a única forma de se fazer isso.


Um jovem que decide se tornar adulto e trilhar a própria rota, sozinho, também faz isso. Utilizar essa mudança brusca pode ser arriscado para a história, porque tirar personagens de sua zona de conforto também é difícil. Corre-se o risco de ficar uma narrativa incoerente. Porém, pode gerar uma história incrível!


A Lua

O contexto de "Mistborn" se encaixa no arquétipo da Lua, pois na composição da cidade foram usadas características sombrias e ocultas, além da ilusão causada pela própria bruma que cerca a cidade. O local é tido como uma cidade misteriosa com suas construções rústicas e lúgubres, principalmente pelas cinzas que caem do céu deixando tudo oculto e umbroso. Assim como em "Mistborn", você pode criar uma cidade que tenha tais características do arquétipo, explorar a fundo e trazer nuances para arquitetura, bem como para a magia que a cerca, pois os nascidos das brumas falam exatamente da cidade e da geografia local.


Assim como em Mistborn, você pode criar uma cidade que tenha tais características, explorar a fundo e trazer nuances para arquitetura, bem como para a magia que a cerca.


O Julgamento


(arte produzida por @fabiilustras)

O julgamento, ao contrário de seu nome, não tem a ver com um julgamento direto, mas sobre um julgamento orgânico. Estamos falando sobre colher o que se planta. Isso, pela visão do tarô, é uma oportunidade incrível de se renovar, tendo, porém, as consequências das ações ocorridas no passado. Por envolver acontecimentos que fogem ao controle da pessoa ou personagem, é um momento de tensão e angústia. Os problemas são iminentes e é preciso uma organização clara para transformar o contexto em questão. O arquétipo fala sobre colher o que se planta.


Podemos notar essa situação em obras como "O⁣⁣⁣⁣⁣⁣⁣⁣ Conde de Monte Cristo", de Alexandre Dumas, quando acompanhamos a jornada de Edmond Dantès, que em busca de sua vingança pessoal, pune todos aqueles que⁣⁣⁣⁣⁣⁣⁣⁣⁣⁣ outrora lhe fizeram algum mal. Ou em “13 Reasons Why”, de Jay Asher, que virou uma série televisiva, adaptada por Brian Yorkey. Na obra, o estudante Clay narra os acontecimentos que envolvem o suicício de Hannah, uma colega de classe. Ao mesmo tempo em que a tensão está presente ao longo da trama, surgem oportunidades constantes de redenção ou de mudança de atitude por parte dos envolvidos.


Utilizar esse recurso contextual é uma oportunidade de gerar tensão através de coisas que aconteceram anteriormente à história contada. Essa mesma questão pode ser percebida na obra "Medeia", de Eurípedes e em "O Inimigo do povo", de Henrik Ibsen.


Seja criativo ao usar os arquétipos para trazer uma visão única de seu mundo e de seus personagens.



Revisão por Elisa Fonseca

Edição por Filipo Brazilliano

Ilustração por Fabiana Souza

Texto por Elisa Fonseca e Nathália Abreu


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