Na Faixa Amarela de G. J. Moreira

Atualizado: Mai 13


Faixa Amarela” é uma novela policial criada pelas autoras G. J. Moreira e Débora de Mello. Possui nove capítulos e setecentas e duas páginas. Lançada pela chancela da Contelação Editora, teve a sua primeira edição lançada no dia 19 de Janeiro de 2020. O prefácio foi escrito por Vivianne Geber, autora de "Missão pré-sal 2025", que nos apresenta o enredo de uma forma geral.


A trama conta uma aventura policial que envolve duas duplas de protagonistas: John Hale e Payne Hastings, dois detetives americanos, originários de Houston, no Texas, e Alan Sampaio e Vivianne Medeiros, um policial brasileiro e a sua namorada jornalista.


Hale e Hastings viajam até à cidade do Rio de Janeiro com a missão de qualificar policiais brasileiros na embaixada americana. Ao longo de sua estadia, surgiu a necessidade de ajudar Sampaio e Medeiros a desvendar um crime ocorrido na época do Carnaval brasileiro, no meio do samba, da cerveja e do calor.


O detetive John revela ser bastante americano: mais formal e com maior dificuldade em envolver-se, algo que incomoda Alan, que é um personagem mais relaxado e que faz piada sobre quase tudo.



Para corroborar essa característica, o texano também não sabe e não aparenta ter interesse em aprender português, o que obriga o casal brasileiro a falar em inglês quando está interagindo com os detetives. Pela identificação inesperada, Payne criou uma conexão com Vivianne, algo que John não aprecia, pois a namorada de Alan é apenas uma jornalista e não deveria se intrometer nos casos de homicídio. Mesmo com estas diferenças de personalidade, os quatro trabalham juntos para desvendar um caso que foi cunhado como “Faixa Amarela”.


Tudo começou com uma ligação recebida por Alan, na hora em que conhece os dois detetives americanos. Alguém com a voz modificada a fez parecer com a voz do Pato Donald do outro lado da linha, o que traz o elemento cômico em meio ao suspense. O elemento musical também é bem marcante na obra, todo o crime envolve músicas de sambistas conhecidos, como Arlindo Cruz.


As autoras revelam as diferenças entre a policia americana e a brasileira, através de uma critica bem humorada. Tudo é complicado para o policial brasileiro: salários injustos, falta de material essencial para a prática da investigação, rixa entre as esferas da polícia e políticos exploradores que interferem nas mídias e meios de comunicação social.


Além disso, leitores de outros países conseguem conhecer um pouco mais sobre o que se passa na época do Carnaval nas Terras tupiniquins. Os personagens texanos acabam por ter as mesmas reações que alguns leitores portugueses, angolanos, ou de qualquer outro país lusófono. Conhece-se sobre a música de Arlindo Cruz, Sombrinha e o grupo Fundo de Quintal. Também conta-se um pouco da história da escola de samba Portela e da quadra Cacique de Ramos, que referenciava o bairro de Ramos, mas a quadra era localizada no bairro de Olaria.


Os dois detetives americanos, John Hale e Payne Hastings, foram criados por Débora de Mello. Já Alan Sampaio e a namorada jornalista, Vivianne, fazem parte das aventuras de G. J. Moreira. A união foi elogiada já que rendeu à obra o Prémio Wattys, da plataforma Wattpad, em 2017, na categoria “Grande Descoberta”.


G. J. Moreira gosta de samba, possuindo contos carnavalescos. Além das letras, ama os números e atua como professora de matemática.

Débora de Mello nasceu no Paraná. Divide o seu tempo entre ser Projetista Editorial e se dedicar à Hale & Hastings, saga da sua autoria.

Faixa Amarela” é uma boa obra para os fãs da literatura policial e para os amantes do carnaval, não importa a sua nacionalidade.


Por Diana Pinto


Conheça Gabriella Moreira

Gabriella Moreira nasceu quando as águas de março inundaram o Rio de Janeiro em 1988. Aventurou-se na escrita, pois, como leitora, procurava histórias sobre as escolas de samba. Escreveu com Débora de Mello "Faixa Amarela" (vencedor do Wattys 2017). Além das letras ama os números e atua como professora de matemática.


Instagram: @gjmoreira88


Gabi, como foi seu primeiro contato com a literatura?


Com leitura dos gibis da Turma da Mônica, na infância. Depois tive uma professora na antiga quinta série (hoje o sexto ano) que pedia para ler quatro livros por mês e eu descobri a biblioteca. Lembro que meu primeiro livro "grande" foi "A Gincana da morte" do Marcos Rey. Daí, não parei mais. Já com a escrita, foi na escola também, pois sempre adorei redação, principalmente textos narrativos. Lembro de ter feito uma história de terror em parceria com minha mãe, a gente passou e muito do limite dado pela professora na tarefa.


Porque você escolheu o gênero policial?


Eu sempre li muito romance policial. Para ser sincera, foi o que li nos meus primeiros anos como leitora. Só fui passar para outros gêneros depois. Então foi fácil escolher como gênero de escrita.


Quais leituras policiais usa para pegar inspiração?


Apesar de escrever policial, hoje minha leitura é mais diversa, pois vejo e aplico nas minhas histórias aspectos interessantes em outros gêneros. Mas no gênero policial leio muito o Harlan Coben, Georges Simenon, além de autores nacionais, como a Dakana Mello, Claudia Lemes e outros tantos da ABERST, através da Revista Mystério Retrô. Essa revista é bem legal pra quem está querendo entrar no mundo do policial.


E qual mensagem você procura passar aos seus leitores?


Gosto de usar minhas histórias para fazer as pessoas refletirem sobre a sociedade. Não é segredo pra ninguém que eu adoro escrever sobre carnaval, mas quero também mostrar outros aspectos da cultura popular, como nossos hábitos e a construção das relações. No fundo, quero escrever algo que as pessoas se reconheçam.


Gosto de pegar detalhes do cotidiano e retratá-los nos textos, seja em uma situação doméstica ou em uma conversa. Procuro sempre fazer diálogos que as pessoas pensem: eu falaria exatamente a mesma coisa que o personagem. Além disso, gosto muito de retratar tudo com bom humor, pois nós, brasileiros, temos os melhores memes, então tento levar esse jeito descontraído, mesmo com a vida difícil, para a ficção.


Como foi escrever "Faixa amarela"? Foi um processo rápido, devagar, doloroso?


Faixa Amarela foi uma loucura. Eu e a Dakana tentamos fazer com calma e de forma organizada, mas basicamente escrevemos pelo WhatsApp. E grande parte de uma vez só, pois meu celular quebrou e a gente terminou no dia final da inscrição no concurso. Até hoje não sei como a gente conseguiu. Faixa Amarela é uma história que convida todo mundo a mergulhar e entender um pouco sobre o carnaval carioca, enquanto reflete sobre alguns aspectos da sociedade. Espero que todo mundo se divirta pelo caminho e reflita quando virar a última página.



50 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo