Duas quadras de mundo, de J.P. Schmidt




Oi, pessoal! Tudo bem com vocês? Fiz essa resenha em vídeo e você pode conferir ela aqui, mas essa também será por escrito. Exclusividade da nossa querida revista Perpétua.


“Duas Quadras de Mundo” foi o primeiro livro no Kindle que resenhei. O livro conta com 259 páginas. O tempo de leitura estimado é de seis horas, pelo meu tempo de leitura, foi publicado em 2020 e é um dos finalistas na Aberst, na categoria Rubem Fonseca.


Duas Quadras de Mundo é um livro de ficção científica, desses com muito mistério. Quando digo muito, é muito mesmo. A distopia, inclusive, começa e termina em uma nota intensa de interrogação. Para os amantes de enigmas é um prato cheio! Isso vem do background do próprio J.P, que é acostumado a escrever histórias de crimes.


A premissa do livro gira em um torno de um futuro repleto de tecnologia. As principais são a criogenia, que é a maior geradora dos plot twists ao longo da trama, e a biorretina, que basicamente é uma I.A (Inteligência artificial) implantada no olho dos personagens principais. A narrativa acontece através dessa tecnologia, que se torna uma espécie de personagem também.


A história é centrada em quatro protagonistas: Artie, Cobain III, Dr. Zola, Alex Skene e Emília. Cada uma dessas pessoas tem capítulos próprios no livro e elas apresentam panos de fundo diferentes. Por exemplo, Cobain é dono da empresa de tecnologia onde as tramas ocorrem ao longo da narrativa, já Alex vem do “núcleo pobre”, mas ela está intimamente envolvida com os outros personagens devido a incidentes que acontecem em sua vida e na de outro personagem.


Um parêntese aqui: achei interessantíssimo o comentário social que rola ao longo da história. Um pequeno exemplo: a biorretina mostra um monte de propagandas na frente das pessoas que a usam. Elas precisariam fechar os olhos para não serem atingidas pelas propagandas. Como aqueles anúncios que a gente tem que pular porque nossa conta não é Premium.


A outra tecnologia que determina o livro, como já dito, é a criogenia. Basicamente, existe as práticas legais e as ilegais de se manipular os corpos das pessoas, em estado de suspensão de consciência. Alguns desses corpos são contrabandeados, outros somem e voltam depois…


Alguns pontos pessoais:

Eu fiquei um pouco incomodada com os nomes das personagens. A história se passa na maior parte no Brasil, em uma empresa tecnológica com base em São Paulo. Os nomes mais “globalizados” me tiraram um pouco da história às vezes.


Dr. Zola, o psiquiatra residente, faz parte de uma religião que é mencionada, mas eu senti que o autor nunca explorou. Acredito que ele poderia se aprofundar mais nessa questão. Mas como eu disse é gosto pessoal. O fato do Dr. ser religioso não influi na trama com tanta força. Então, pode ser aí que eu tenha me incomodado. Eu senti esse comentário meio descolado do resto da história.


O livro “me pegou” a partir do capítulo 8, quando Alex entrou na história, daí em diante não consegui mais largar!


O final é maravilhoso! O J.P. joga com o passado e com o presente e ainda por cima acrescenta um ponto climático ao finzinho da narrativa. Ele estruturou a história de uma maneira muito inteligente. Cada capítulo te situa no tempo, avisando sobre um grande evento que está para acontecer. No capítulo do “Dia Zero” você sabe que algo vai acontecer, mas é melhor não se preparar porque as surpresas e a emoção são muitas!






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