Jogos da Ascensão, de Fakel Barros

Na coluna clube do livro de hoje nós damos continuidade a parceria com Dara Cazimiro, que nos trás mais uma resenha para a revista, e dessa vez, Dara leu e resenhou Jogos da Ascensão de Fakel Barros



Nesse romance, Fakel Barros nos presenteia com um romance distópico de 217 páginas. Nele, Danitria é uma formiga, a base operária que serve às classes mais altas de uma sociedade estratificada. Com a perspectiva infeliz de se tornar posse de um homem para quem sua família tem dívidas, ela enxerga como escape a seleção de um reality show. Por sorte ou azar, ela é selecionada e irá como peça de um dos membros da família real.


Baseado em uma saga já bem conhecida, A Seleção de Kiera Cass, e com trechos que nos rememoram livros como Jogos Vorazes, a escritora nos traz uma obra bastante familiar, porém única, ao situá-la no Brasil, não só em sua localização, mas também em aspectos socioculturais. Foi uma experiência interessante ver como o trabalho desta escritora nacional se desdobrou.


Os personagens são bem construídos e cativantes. Durante a leitura podemos vê-los revelando suas camadas aos poucos, tornando-os palpáveis. Danitria e Liam têm uma personalidade única, que destoa dos protagonistas de A Seleção, algo muito agradável, visto que não consegui gostar de América e do príncipe quando li o livro alguns anos atrás.


O livro é movimentado, seguindo em um ritmo de leitura agradável e rápida, o que é bem vindo para quem quer se distrair, mas não tem muito tempo e nem quer abrir mão da qualidade de leitura. A sequência de acontecimentos deixa uma sede para saber como algo irá se desdobrar.


Talvez o único ponto negativo da história seja seu final. Não me importo com finais abertos, acho-os emocionantes e instigantes quando bem feitos, porém ficou a sensação de que a história fora interrompida abruptamente. Embora compreenda a referência que a autora fez, não foi uma surpresa bem vinda para mim.


Estou ansiosa para a sequência e irei devorá-la como fiz com o primeiro livro.



Conheça a autora Fakel Barros


Escritora, capista e designer amapaense. Seu primeiro livro publicado foi Jogos da Ascensão, que inicialmente foi lançado no Wattpad e atualmente está publicado na Amazon.


@diariodulqns
Você se lembra de suas primeiras leituras?

Tenho que confessar: demorei muito para realmente entrar no mundo dos livros. Eu já tinha 18 anos quando os livros da série O Diário da Princesa, da Meg Cabot, me arrastaram para o mundo literário. Devorei dez livros em quatorze dias, e esse é um feito que eu nunca mais consegui repetir na minha vida.


A escrita chegou na mesma época? Como foi esse processo?

Eu fui o tipo de criança que brincava sozinha no quintal, fazendo o papel de todos os personagens que criava na minha cabeça. Não podia assistir um filme que logo inventava uma aventura inspirada nele. Várias vezes rabisquei histórias aqui e ali, mesmo antes de realmente ler livros, mas eu só levei isso para frente em um momento de revolta.


Conta pra gente que revolta foi essa, que fez você se tornar escritora?

Eu tinha lido os 2 primeiros livros de A Seleção, de Kiera Cass, ainda não havia lançado o livro que ia concluir a trilogia e eu estava enlouquecida atrás de uma fanfic boa para ler. Mas eu não queria ler uma versão de fã de como ia ser o fim da história, eu queria algo naquele universo, com aquela mesma ideia, mas com personagens novos, com a estrutura de um livro de verdade, ao invés de tudo já acontecer no primeiro capítulo. Bem, eu não achei nenhuma fanfic que se encaixava no que eu queria, então eu fui lá e fiz a minha. Quando eu vi, as pessoas estavam gostando e eu estava gostando. Era um surto coletivo e eu descobri que gostava tanto de escrever, quanto de ter o feedback dos leitores.


Quanto aos gêneros, quais você escreve e por que os escolheu?

Eu posso dizer com cem por cento de certeza que o meu foco é em romance. É o que eu gosto de ler e é o que eu gosto e quero escrever, porque sempre tive em mente que eu deveria escrever histórias que eu gostaria de ler. Mas estou realmente empenhada, há muitos anos, na construção de mundo fantástico para um livro.


Fakel, você consegue apontar elementos e temáticas recorrentes em sua obra?

Parando para pensar agora, de todos os livros que já comecei a escrever em algum momento da minha vida, só três não tinham ligação com realeza, acho que isso diz muito sobre minhas fantasias românticas infantojuvenis, mas percebi agora, pensando em ideias mais recentes, o quanto busco trabalhar a dinâmica das relações familiares delicadas e o efeito disso nos protagonistas.


E como funciona seu processo de escrita? Pode revelar pra gente quais são suas ferramentas literárias e cono as aprendeu?

Quando eu escrevi Jogos da Ascensão, não sabia NADA de escrita. Era uma fanfic que adaptei e não quis mexer muito na história quando mandei ela para a Amazon, pois queria ela fiel ao que as pessoas haviam lido no Wattpad (o livro ficou lá por uns seis anos).


Comecei a estudar mais quando tive a ideia de criar minha fantasia. Estudei muito sobre criação de mundo em um blog português, que infelizmente morreu e sumiu do mapa e aprendi muito sobre estrutura no site do Diego Schutt, o Ficção em Tópicos, foi lá também que aprendi técnicas e várias outras coisas pra aplicar nas minhas narrativas.


Mas algo que eu ainda estou aprendendo a fazer é planejar a história, o que é bem difícil para mim, porque eu sempre fui de ir escrevendo e a coisa acontecer, mas sinto que atualmente eu realmente preciso definir pra que lado eu tô querendo ir, para que a escrita realmente flua, sem sofrer o famoso bloqueio criativo, um grande inimigo meu.


Qual foi seu momento de maior evolução e progresso enquanto autora?

Talvez esse momento ainda não tenha chegado? Não sei dizer, mas acho que a maior realização até agora seja ter meu conto “Yellow flicker beat” nos destaques no Wattpad depois de ter entrado para a lista das melhores histórias de 2020 pelos embaixadores brasileiros do Wattpad. Eu fico muito besta sempre que lembro disso!


Quais autores e obras de alguma forma te influenciam?


Quando penso em como quero trabalhar minha literatura, sempre penso em nomes como Patrick Rothfuss. Pelo menos nas minhas tentativas de escrever minha fantasia, sinto uma forte influência dele. "O Nome do Vento", foi o empurrão que eu precisava para começar a trabalhar nesse meu livro.


Pelo jeito esse livro passou por várias transformações, não é? Como foi a jornada para publicar “Jogos da Ascensão”?


Tudo começou com a vontade de ler uma fanfic como estrutura de livros. Eu comecei a publicar ela no Nyah, em 2014, deixei o livro de lado por um tempo e em 2015 eu comecei a postar ela no Wattpad. Assim que finalizei o vol. 1, dei a louca de decidir que ia transformar em um original. Aí veio todo o processo de tirar as coisas que ligavam o livro aos livros da Kiera Cass. Foi bem difícil, pois tinha coisas bem específicas: castas, o reality show que levava as meninas para o palácio, e tenho que confessar que apesar de gostar das mudanças que fiz, sei que existem remendos na história que eu não consegui deixar totalmente bons. Mas quando lembro que era uma fanfic, fico muito feliz com o resultado.


Eu não tinha interesse em tirar o livro do Wattpad, gostava de ver o povo lendo, comentando e eu nem precisava divulgar. O livro tinha vida própria. Mas surgiram duas editoras em 2020 querendo publicar o livro e eu fiquei: uau, ok!


Rejeitei a primeira oferta, aceitei a segunda, mas depois vi que ia ser um tiro no pé e dei a louca, decidi fazer sozinha. E deu tudo errado!


Tentei pelo catarse, teve um apoio bom, mas não atingi a meta. Decidi fazer uma tiragem só pra quem tinha apoiado no catarse e disse que queria o livro mesmo com a campanha cancelada. Deu tudo errado de novo! A gráfica cagou a capa, tive que refazer tudo do zero, no fim das contas não tive lucro nenhum...


Devolvi o livro pro Wattpad, mas graças a alguns seguidores, decidi lançar ele na amazon, até porque o livro estava praticamente pronto, era só postar e eu acabei fazendo. Só fico triste por não poder dar tudo de mim na divulgação. Eu ainda me sinto perdida sobre como divulgar o livro. Gosto muito dele, mas sinto que não sei o que falar, entende? É bem isso. Uma autora nem um pouco best seller, mas feliz por ainda ter gente que gosta do meu livro.


Links da autora: Amazon/Wattpad/Instagram


Resenha por Dara Cazimiro
Revisão e edição por Elisa Fonseca
Entrevista e edição de imagens por Felipe Henrique


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