Não é a minha mãe, por Vanessa Amaral

Atualizado: Mai 14




Abriu os olhos, sentou na cama e pôs os pés no chão. Maria era a primeira a levantar. Arrumava os irmãos, iam para escola, e ao voltar, a menina preparava o almoço e passava o dia com eles até a mãe chegar do trabalho, já a tantas da noite.

Os irmãos, ainda bem pequenos, perguntavam sobre a mãe. A garota dizia sempre a mesma coisa: “ A qualquer hora ela chama na porta”.

Um dia, já cansada dos serviços da casa, com o irmãozinho chorando pela mãe, Maria repetiu a frase.

No mesmo instante ouviu a voz da mãe chamar na porta. Mas como? Não era possível a mãe chegar nesse horário.


“Quem está aí fora?” perguntou Maria já maldando quem seria.


“Sou eu, a mãezinha” respondeu a voz.


A menina sabia que essa não era a resposta que a mãe dava todas as noites. “Não abram a porta” disse aos irmãos.

Ligou para o tio pedindo que ele fosse até a porta da casa dela, mas que não esquecesse o machado.

Na porta, a voz implorava para entrar.


Minutos depois ouviu o canto do machado chamando a morte. Ouviu o esmagar do crânio. O som aquoso do sangue explodindo. Um grito de ódio que não era a voz de sua mãe. Abriu a porta e viu Cabra Cabriola morta na porta de sua casa. O sorriso nos lábios do ser bestial esperando uma criança para devorar.


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