Nada além de mim, por Raphael Coutinho

Atualizado: Mai 13


Uma colagem onde há uma mulher dentro de um glbo de neve, protegida do mundo exterior
Colagem intitulada O amor da sua vida é você produzida por @gaiacollage

Acabo de deixar para atrás aqueles que foram os melhores dias da minha vida, em plena quarentena. Eu absolutamente sozinho, no meu minúsculo AP. Nunca antes eu havia experimentado tamanha solitude, ainda mais de maneira tão plena. Isolado fisicamente de toda a sociedade, eu me vi imerso em mim como único refúgio. Era como se, finalmente, eu tivesse me ouvido falar. Nada disso começou assim. Foi tudo de repente? Não, foi tudo aos poucos. Fui me acontecendo sem nem poder me avisar. No primeiro mês, ainda não havia caído a ficha de que tudo o que acontecera tinha sido real. No segundo, comecei a sentir medo quando todas as incertezas tomaram à força o domínio sobre mim. No terceiro, tornei-me sedento por gente, além de sonhar, em dias de chuva, com possíveis banhos de sol. No quarto mês, só a partir daí, eu perdi completamente o rumo, mas foi só aí que consegui me encontrar. Só havia eu ali, nada mais além de mim. Tudo tão perto de mim. Tudo o que mais queria encontrar: EU.


Conheça o autor


Raphael Coutinho Santos é um escritor nascido na cidade de São Luís do Maranhão, em 1992 e formado em Marketing. Escolheu como profissão a literatura e o serviço público. Suas obras se caracterizam pela linguagem jornalística.



Trajetória de Raphael Coutinho


No ano de 2019, publicou seu primeiro livro “O garoto chamado Tony Louco” pelo Grupo Editorial Coerência, o qual concedeu dois prêmios ao autor: Melhor infanto-juvenil no Prêmio Literário da SECTUR-MA e Autor Revelação no Coerência Awards 2019.


Em 2020, durante sua quarentena, participou da antologia "Faces da Pandemia", com o conto 'Pedro'.


Conheça melhor o escritor



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abre.ai/otonylouco



Entrevista


Quando surgiu o seu interesse pela escrita?


Crio histórias desde os oito anos de idade. Acho que surgiu de forma muito natural, quase que instintivamente, pegando cadernos em branco e escrevendo neles, da primeira à última página, todos aqueles mundo e seus respectivos personagens que, naquela hora, vinham até mim em pensamentos.


E quais foram as suas principais referências ao longo do tempo, Raphael? De que forma essas referências estão presentes em sua obra?


Eu devorava revistas como Super Interessante e Mundo Estranho, tinha assinatura das mesmas durante toda a minha adolescência, talvez por conta disso a minha linguagem escrita tenha se aproximado muito da jornalista, bem direta e didática. Na juventude, me apaixonei por Clarice Lispector por conta da sua busca de desvendar os aspectos psicológicos dos personagens. Hoje busco muito fazer isso, trazer os conflitos internos dos meus personagens aos leitores.


O que escrever significa pra você?


Objetivamente, seria a forma encontrada por mim para liberar toda a minha inquietude e criatividade. De maneira mais profunda, seria meu propósito de vida.

Para vc Raphael, quais os elementos necessários para uma boa escrita?


Primeiro eu devo estar apaixonado pelo projeto em questão. Não gosto de escrever sobre pressão e nem para cumprir tabela. Preciso me sentir tomado de inspiração, depois eu sento e escrevo até aquela sensação sumir ou o cansaço bater. Normalmente a única coisa que preciso é minha própria companhia e o silêncio.


Como ocorre seu processo criativo?


Meu processo criativo se baseia em ficar sonhando acordado, horas e mais horas olhando para o nada, “ouvindo” as vozes daqueles personagens que darei via (chamo isso de esquizofrenia literária rsr). Depois que eles estão bem desenhados na minha mente, seus fatores psicológicos e seus dilemas, eu começo a desenhar sua missão. Cada personagem tem um propósito e suas muitas contradições. É isso o que faz deles reais para quem for ler.


Depois é só me sentar na frente do computador e deixar os dedos das mãos se conectarem com o cérebro (mais precisamente, com a alma dos meus personagens). Às vezes eu até tento traçar os planos da narrativa, mas meus personagens são mais fortes do que eu e tomam o controle do meu corpo. São eles que decidem os rumos da estória, e não eu.


De que forma a pandemia afetou a sua arte, sua escrita?


Meu maior período de evolução como autor se deu em 2020, em plena pandemia. Por conta dos longos meses de quarentena, tive que me encontrar na escrita ainda mais para me salvar. Estudei muito, li muito e encontrei outras possibilidades dentro da minha arte.


Tem algum plano ou novidade para os leitores que o acompanharão em 2021?


Sim! Em 2021, trarei ao meu público leitor a continuação do meu primeiro livro, intitulado "Onde está o Tony Louco?", também pelo Grupo Editorial Coerência, e representarei meu estado (Maranhão) na antologia "Brasil, mostra tua cara!" pela editora Bindi.


Para finalizar, se um escritor iniciante te pedisse algum conselho, o que diria?


  1. Estudar muito, todos os dias: sobre o mercado, sobre escrita criativa e sobre marketing digital (pois além de escritor, você também será vendedor e divulgador de seus trabalhos.);

  2. Cole em outros autores, de preferência mais experientes do que você, e aprenda com eles;

  3. Não ache que seu primeiro livro é uma obra prima, demora para se chegar lá, então não fique com paranoias como a de que vão roubar sua ideia, que você não vai gastar dinheiro com sua carreira, pois seu único trabalho foi escrever ou outra tolices desse tipo;

  4. Não tenha medo de expor o que escreve, aceite as críticas e busque sempre dar o seu melhor;

  5. Escreva todos os dias, comece pelos contos, vá para as novelas, depois para os romances. Não arrisque começar por uma trilogia, vai por mim, dará um trabalhão. Um degrau de cada vez.

  6. Respire, coma e beba literatura.










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