Nos bastidores da obra Katarzze, de Margarete Brito

Atualizado: Abr 24

"Quantas vezes te chamei de sagrado, sem ao menos entender o real significado dessa palavra, porque na maioria dos meus passos até aqui, ultrapassei limites e ignorei valores. Fui profano, mas agora me dou conta de que cheguei no auge, mas não por inteiro"


Katarzze: Os Bastidores do Sucesso” é um romance criado pela autora Margarete Brito. Teve a sua publicação no dia um de Outubro de 2020 pela Amazon. Contém duzentas e duas páginas, vinte e oito capítulos, uma página com agradecimentos e outra contendo uma pequena biografia.


O enredo conta a história de Rômulo Dantas, um vocalista de uma banda pop rock, que no primeiro capítulo se vê envolvido num problema, após ter feito mais um show incrível. Elisa, a produtora, avisa que o empresário William não iria renovar o contrato, pois estava a ser investigado por fraudes envolvendo política.


É assim que o enredo se inicia, escrito em primeira pessoa, com Rômulo a contar a sua história pessoal. Desde romances, estudos e sucesso, o protagonista conta o que o levou até àquele momento. O jovem explica que o pai, Ricardo Dantas, tinha um escritório de Engenharia e que ele trabalhava na parte administrativa, enquanto estudava no ensino médio no turno da noite. A mãe, Lúcia Dantas, era filha de família tradicional e formada em Arquitetura. Rômulo era o primogênito, seguido por Ana e Pedro. A diferença de idades entre ele e Ana era grande: Onze anos. A gestação dele foi difícil, mas a mãe tinha o sonho de ter três filhos e conseguiu tê-los. É nessa época no ensino médio que conhece Roberta, uma jovem linda, com quem inicia um romance. Mas depressa se sente cativado pela beleza da irmã mais velha desta, Elisa, acabando por formar um triângulo amoroso.


Após a traição ser descoberta, Rômulo decide viajar por um tempo, onde surgiu o gosto pela música. Ao ser cativado por um músico independente do Central Park, decide mudar sua vida. De regresso ao Brasil, tem aulas de violão e começa a compor. É aí que conhece os seus quatro colegas de banda, formando inicialmente o grupo Integral. Porém, com a chegada do primeiro empresário, os músicos acabam por criar a banda Katarzze, fazendo jus ao título da obra.


No entanto, o palco e o sucesso nunca foram bem recebidos totalmente por Rômulo, que continuava a sofrer pela sua amada Roberta, sua musa inspiradora. Porém, Elisa era a pessoa que o deixava louco, a sua droga. Ele tinha uma certa dependência da produtora, e não era realmente devido à banda, era algo mais carnal.


Katarzze” conta ao leitor uma história narrada em primeira pessoa sobre amor, traição, sucesso, perda e arrependimento. Revela também sobre o outro lado dos bastidores do sucesso: as drogas, o sexo, o tão conhecido rock n´roll, ou seja, trata-se de um enredo contra indicado para leitores menores de dezoito anos.


Os personagens são bastante humanos e deixam o leitor envolvido, criando um bom ambiente de leitura. Nos agradecimentos, a autora passa a mensagem de não desistir dos sonhos e sempre acreditar na sua base. “Katarzze” é, assim, uma prazerosa leitura.


Conheça a autora


Margarete Brito é paulistana, formada em Administração com ênfase em Marketing e pós-graduada em Trade Marketing. Autora dos livros: A Busca de Luna, e Katarzze: os bastidores do sucesso.



Quando você começou e o que te atraiu para o mundo da literatura?


Comecei a ler na casa de uma amiga. A vó dela tinha uma biblioteca enorme e sempre me oferecia livros. Eu era apaixonada por aquela biblioteca. Essa minha amiga foi quem me incentivou a começar os contos, somos amigas a mais de 30 anos. Na escola, eu gostava muito de escrever redação e algumas amigas me pediam para escrever cartas românticas. Sou da década de 80/90. Nós tínhamos diários, fazíamos cartinhas, poesias. Eu me inspirava nos meus amores e escrevia poesias e frases românticas por encomenda.


Em qual momento da sua vida você decidiu que se tornaria escritora?


Eu tive uma crise de ansiedade e depressão, entre 2015 e 2018, e minha terapeuta sugeriu que eu escrevesse. Mais uma vez me voltei para a literatura e escrevi o meu primeiro livro: A busca de Luna, o cativeiro do ansioso é dentro de si mesmo.


A minha protagonista tem todos os dilemas da vida comum, com o adicional da ansiedade. Publiquei de forma independente e um ano depois este mesmo livro foi contemplado aqui na minha cidade, Mogi das Cruzes, pelo PROFAC, um programa de financiamento. No mesmo ano conquistou o 3º lugar na categoria melhor escritor no prêmio Destaques do Alto Tietê DSTAQS.


Considero que minha carreira como escritora começou nesse período. A Luna me abriu várias portas. Participei de grupos de encontro de poesia e comecei a me encontrar e perceber que é uma coisa que eu gosto bastante de fazer.


Você tende a se voltar para romances dramáticos?


Eu creio que acaba sendo uma tendência. Que escritor que não gosta de drama né? Eu acabo gostando mais desse tipo de abordagem porque quero ver os personagens superarem as dificuldades. A vida não é só alegria né? Então pelo tipo de contemporaneidade que escrevo, acaba indo pra esse lado mesmo.


Como surge a sua inspiração para escrever?


As minhas inspirações acontecem a qualquer momento. Uma frase, uma cena, as minhas inspirações estão em qualquer lugar. Normalmente eu carrego um bloquinho. Acho que a vida é uma inspiração. O escritor precisa ser muito observador.


Qual você diria ser a sua maior dificuldade como escritora?


Poder fazer tudo. Quando somos escritores independentes temos que nos preocupar com tudo: marketing, redes sociais, divulgação, etc. A parte de sentar e escrever um livro é só um pedaço. Toda a cadeia que envolve escrever o mercado do livro, quando a gente é independente, é solo. Porque normalmente não temos dinheiro para bancar os serviços necessários. Organização e planejamento, que não é bem uma dificuldade, mas é um desafio. Eu mesma montei o meu site. Precisei me aprofundar, etc. A gente tem que estar em tudo, precisa estar acompanhando. Conciliar todas as coisas que envolvem a divulgação, a venda. Mas não é impossível


Margarete, quais autores e obras vc sente que corroboram com a construção do seu estilo narrativo?


Eu viajo por tudo que é tipo de história. Desde clássicos como Machado de Assis, Clarice, Raquel de Queiroz. Acho que a maior parte das minhas influências, são de contemporâneos como Giovana Madalosso, Maurício Gomyde e Anita Deak. Estou para reler Vidas Secas. Gosto bastante de estrangeiros, mas a minha maior influência vem da literatura nacional e contemporânea.


Como vc faz a sua pesquisa antes de escrever algo? Procura ser fiel à época em sua escrita?


É primordial para se trazer a verdade para a sua história, pensar o contexto histórico e a linguagem da época. Quando fui falar sobre ansiedade, tive uma amiga psicóloga e trouxe parte da terapia para a obra. O Katarzze veio a partir do trabalho de meu marido, surgiu da curiosidade de descobrir os termos que eles falavam, então assisti vídeos e pesquisei bastante. A pesquisa te coloca na história.


Como foi a recepção do público?


Eu trouxe uma especialista, uma psicóloga e as pessoas se identificaram. Esse livro me trouxe uma proximidade muito grande com o público que se viu na personagem. Houve muita identificação e apoio do público.


Qual a sua relação com a música?


É uma relação de amor. Já tentei tocar teclado, mas toco muito mal. Espero poder retomar um dia. Meu marido é produtor musical e artístico de um cantor sertanejo da região. Foi justamente isso que me despertou para o livro porque eu estou nos bastidores. Esse mundo que você fala, esse trabalho que tem por trás de produzir um show é muito interessante. Minha banda tem que ter uma música dela. Daí eu criei uma poesia, criada para ser uma música, que foi inclusive gravada através de um amigo, Eddy Luem, fez a melodia e gravou a música em voz e violão. Nunca pensei em minha vida que eu viraria compositora no meio da composição de um livro.



Ficou interessado, acesse o instagram da autora ou conheça mais de Margarete Brito pelo site.



Resenha: Por Diana Pinto

Entrevista: Filipo Brazilliano

Edição e revisão: Por Elisa Fonseca

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