O Uivo do Lobo Solitário, por Guilherme Menegatti

Atualizado: Mai 13



O vento gelado da noite passava por seus pelos prateados, iluminados pela forte luz do luar. Caminhando contra o vento, o lobo caçava a presa a um ritmo lento e coordenado. A cada passo dado, ele acompanhava as batidas de seu turbulento coração.


Podia sentir o forte cheiro da vítima, fraca e fácil de ser abatida. Sempre utilizando a direção do vento a seu favor e impedindo que o pequeno cervo sentisse a sua presença.

As feridas em suas costas ainda doíam, frutos de uma sangrenta batalha que lhe custou tudo, sua dignidade, seu orgulho, sua força e sua família.


O que outrora havia sido um grande alfa para a alcateia, agora não passava de um mero lobo solitário, vagando sem rumo em busca da própria sobrevivência, num mundo castigado pela crueldade. Não passava de uma criatura vil e fraca, fadada a morte prematura e humilhado pelo fracasso de não conseguir proteger aqueles a que um dia jurou lealdade.

O lobo avançou mais alguns metros, quando notou que a presa havia parado próximo a um córrego de água cristalina. A adrenalina percorria cada parte de seu ser, o fazendo se sentir vivo como não sentia há tempos. Enrijecendo os músculos traseiros, ele impulsionou uma corrida feroz e saltou sobre a vítima.


O animal não teve nem tempo de reação, apenas encarou o feroz lobo em seus últimos segundos e sentiu as presas cravando sobre sua garganta. O ataque fez o sangue jorrar pela boca do cervo. Ele agonizou de dor, não durou mais do que alguns segundos e em seguida se calou, em meio aos sons que o lobo produzia enquanto se deliciava de sua carne fresca.


Sentindo a vida correr em suas veias mais uma vez, o lobo observou o amargo da solidão o atingir novamente, a medida em que se afastava da vítima. Não importava o que fazia, nada compensaria a dor do abandono, o desprazer do silêncio constante em sua vida ou as lembranças de sua família perdida.


O lobo estufou o peito, limpando o sangue do alimento nos lábios e olhou para a Lua, sua eterna companheira. Com a força de seu lamento, ele uivou. Uivou até ficar sem ar em seus peitos e aliviar uma parcela de sua tristeza. E seu desejo, era que a Morte viesse lhe buscar, para deixar apenas as marcas de sua pata no presente.


Conheça o autor


Guilherme Menegatti é um escritor paulista de 23 anos, que está se formando em engenharia mecânica e passa grande parte de seu tempo dedicado à fantasia. Seu gênero mais recorrente é o conto.

Instagram @mene_stories

Uma coisa que me chamou a atenção foi o fato de vc colocar Escritor "ainda não profissional" na bio do instagram. O que você considera ser um escritor profissional e quando acha que chegará nesse lugar?


Considero um escritor profissional aquele que, além de ter obras divulgadas, consegue cativar o leitor a continuar seu livro, até a última palavra e no final ainda comente entre os amigos sobre o livro que leu. Acho que para me tornar um profissional ainda levará tempo e como eu trabalho bastante, não tenho um tempo exato para estipular. Porém, quero aos meus trinta anos já ter divulgado pelo menos dois livros


E quando você encontra tempo para escrever? Você segue uma rotina de escrita?


Não tenho um tempo exato pois cada dia é diferente pra mim. Ás vezes tenho que ajudar meu pai, minha mãe e tenho a minha faculdade para conciliar também. No geral é durante o final de semana que eu me dedico a escrita


Quais foram as suas primeiras leituras?


Minhas primeiras leituras foram Percy Jackson e Harry Potter. Foram esses que me abriram para o mundo da escrita. Foi com uns dez anos, mais ou menos.


Quando decidiu começar a ler?


Comecei a escrever em RPG`s de fórum no mesmo ano, depois fanfic um ano dps

Mas como hobbie mais sério só em 2018.


Pode nos contar um pouco sobre as suas referências?


Além dos dois livros citados, eu fui muito influenciado por Christopher Paolini e um pouco de Dan Brown. Cassandra Clare foi bem importante também. Em geral me volto para os autores de fantasia.


Guilherme, você está trabalhando com algum projeto atualmente?


Sim. Uma saga que eu pretendo escrever. Dividida em seis livros. Ela envolve mitologias das mais variadas culturas e que coexistem com o mundo humano de maneira silenciosa. Os protagonistas possuem os poderes das divindades, que estão aprisionadas em pedras. O primeiro se chama Os Guardiões: As Pedras Divinas


Como a escrita surgiu na sua vida e que papel ela tem na sua rotina?


Desde pequeno fui inspirado pelas grandes mitologias e culturas. O hobbie aumentou com o tempo até se tornar uma ideia mais sólida e ousada. Atualmente trabalho e estudando em uma área diferente da escrita, mas em meu tempo livre me dedico inteiramente às minhas obras.


Para explorar minha escrita, promover meu trabalho e alcançar um publico maior, decidi me arriscar com alguns contos que me surgem à cabeça. Por isso criei o Entre Contos e Palavras, uma página no Instagram e Facebook com esse propósito.

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