Quando acordou, o dinossauro ainda estava lá, por Lícia Mayra


Colagem digital por @filipobrazilliano

Abro a porta. Não saio de casa há muito tempo, nem sei quanto. E, só saio agora porque preciso comprar um caderno. Sou escritora. Mas pra quê um caderno, Clara, se você pode usar o computador? Acontece que pretendo ser uma grande escritora, e grandes escritores escrevem à mão.


Estou escrevendo a obra da minha vida. A ideia veio enquanto eu procurava um carregador, desesperada porque a bateria do celular estava acabando. Imaginei como seria um mundo sem tecnologia, um retorno à pré-história. Joguei o celular no lixo na mesma hora. Comprei resmas e resmas de papel, e me livrei de todas as distrações: computador, Internet, televisão. Passei a me dedicar só à escrita, como um bom escritor deve fazer. O que era pra ser um livro virou uma saga de vinte volumes mas, ao chegar no último capítulo, do último livro, minhas folhas acabaram. Não tinha sequer um post-it. Então, tive que interromper minha árdua jornada para comprar um caderno.


O dia está insuportável de quente, as plantas murcham nos canteiros. As pessoas se amontoam na parada de ônibus, cada uma com um celular na mão. Por sorte, a minha papelaria favorita fica do outro lado da rua.


Ou, pelo menos, ficava. Acostumada, não reparei na nova placa e, só ao entrar, percebi ter sido substituída por uma loja de acessórios para celular. A vendedora faz uma careta quando eu pergunto sobre o antigo negócio. Talvez ela seja novata e não saiba detalhes da mudança. Pergunto onde fica a papelaria mais próxima.


— Não estou entendendo, senhora. — Odeio quando gente da minha idade me chama de senhora. — O que quer dizer com papelaria?


É alguma pegadinha? Olho para a moça. Apesar do ar avoado, ela parece informada o suficiente para saber do que se trata. Outra funcionária se aproxima:


— Algum problema, senhora?


Só tem uma coisa que eu odeio mais do que gente da minha idade me chamando de senhora: gente mais velha que eu me chamando de senhora.


— Essa dona tá procurando papelaria. Você sabe o que é, Marizete?


— Ai, essa geração alfa! — Marizete ri. — Era um lugar onde se vendia papel e caneta antigamente. — Oi? O que você quer com isso, querida?


— Eu preciso de um caderno.


— Caderno? — a mais jovem pergunta. Ah, fala sério, essa garota tá de brincadeira!


Marizete explica que um caderno serve para anotar coisas.


— Ué, então por que você não usa um computador?


— Prefiro escrever à mão.


— Ah, já sei! — A moça se acende toda. — Você precisa de um e-writer!


É o quê?! Ela tira um aparelho da prateleira.


— Tá vendo só? Vem até com uma caneta eletrônica e tem a opção de inserir o teclado, pra quando você cansar a mão.


— Não, moça. — Balanço a cabeça. — Eu quero um caderno, mesmo. Tradicional. De papel, com pauta e tudo.


— Mas ninguém usa papel há anos!


Há anos? Do que ela tá falando? Passei um bom tempo sem sair de casa, talvez o ano já tenha

virado, não sei. No meio do processo criativo, perdi meu calendário, mas não foi tanto assim.


— Ah, tá, quer dizer que de 2020 pra 2021 as pessoas deixaram de usar papel, assim, do nada?


Agora as duas me olham como se eu fosse de outro planeta.


— Queridinha — Marizete aponta para um letreiro digital na outra ponta do balcão —. nós estamos em 2036.


Me apoio nas prateleiras atrás de mim para não cair. 2036?! Só pode ser pegadinha! Olho para os lados e então me reconheço nas imagens da câmera de segurança. Meu Deus! De onde surgiram todas essas rugas, essas bolsas debaixo dos olhos e esses cabelos brancos?! Ocupada com a escrita, esqueci até do espelho.


Preciso de ar. Agradeço a elas e me viro para ir embora, enquanto elas pedem para eu fazer check-in na loja e deixar uma avaliação positiva em algum aplicativo novo que não conheço.


Na calçada, quase tomo um choque térmico com a diferença de temperatura. Caramba! Não acredito que se passaram dezesseis anos! Tudo está tão igual. Não parece com o futuro. Não tem carros voadores, nem ciborgues, nem robôs andando pelas ruas. Se bem que eu esperava ver carros voadores em 2020, mas só rolou pandemia e fake news. O mundo só está mais tecnológico. E quente. Nossa, como está quente! Devem ter destruído o resto da camada de ozônio.


Me abrigo na parada de ônibus. A julgar pela quantidade de pessoas, também não tem transporte público de qualidade, ainda.


— Psiu, dona — um cara de preto se aproxima.


Pensei que se referia à senhorinha ao meu lado, então lembro que agora também sou uma senhora.


— Tá precisando de um caderno?


Como ele sabe? Num painel luminoso, ele mostra alguns modelos: caderno de doze matérias em papel sintético 30% celulose e caderno de caligrafia em liga acrílica com cheirinho idêntico ao original.


— Oferta exclusiva, apenas 150 digimoedas!


Até a moeda mudou? Fala sério! Pergunto quanto isso dá em reais. Ele dá dois cliques na tela e o valor aparece: 9.500.


— Cê é louco, tudo isso por um caderno?!


— Ela não está interessada — a senhorinha diz e aponta um dispositivo na direção do vendedor. Ele sai correndo.


— A senhora conhece esse cara?


— É um anunciante. Ele deve ter ouvido você falar que queria um caderno. Eles estão em todos os lugares. Por isso é bom ter sempre à mão um bloqueador. — Sacode o aparelho. — Hoje em dia é impossível sair sem ele.


Essa história me é familiar.


— Falando em caderno — seus cabelos grisalhos acendem uma chama de esperança —, a senhora sabe onde posso encontrar um?


— Ih, minha filha, papel agora é artigo de luxo! Mas tem um lugar... — Abençoados cabelinhos brancos! — É um bairro perigoso. Ônibus pra lá é difícil, melhor chamar um carro pelo aplicativo.


— Eu não tenho celular.


Ela me olha como se eu fosse de outro planeta:


— Você não tem celular?! — E o tom muda de espanto para comiseração. — Vou pedir um pra você.


O carro chega em alguns minutos. Quando ofereço uma nota de dez ao motorista, ele pula de alegria. Aparentemente, cédulas também se tornaram raridade e valem centenas de digimoedas online.


O lugar onde ele me deixa é desolador. Montanhas de lixo se erguem por todo lado, cortadas por um riacho malcheiroso. Algumas pessoas sobem por elas, se agarrando aos resíduos. Jogam coisas para as de baixo, que as levam até caminhões. Todos parecem muito ocupados.


— Oi! — Falo para uma mocinha acocorada a um canto. — Eu tô procurando um caderno.

Ela se levanta. Tem a pele acinzentada e uns olhos enormes de fome.


— A senhora — não me acostumo com isso — fez o pedido no aplicativo?


— Ah! — e lá vamos nós de novo! — Não sabia que precisava…


Ela aponta o dedo carcomido para um grande telão atrás dos morros de lixo.


— A gente precisa dar baixa nos pedidos pelo aplicativo. Se a senhora não fez, eu não tenho como atender.


— Mas moça… Eu preciso muito de um caderno! Olha, eu tenho dinheiro! — Mostro a cédula de dez. — Vale centenas de digimoedas, não é?


Ela dá de ombros.


— Vale. Mas eu não tenho celular pra anunciar na Internet, então, de que adianta?


— Você não tem celular?!


Nem eu acredito no meu espanto. Em 2020, vez ou outra encontrava-se alguém sem o aparelho. Mas nesses novos tempos parece que sem ele você não existe.


— Olha pra mim, dona — Ela ergue os braços, mostrando a roupa puída, quase em decomposição, como tudo ali. — Eu mal tenho condições de comprar comida!


— Daiane, o que você tá fazendo aí parada? — Um senhor igualmente acinzentado vem até nós. — Desse jeito vai perder sua colocação no ranking. — Ele me olha de cima a baixo, desconfiado. — E a senhora, tá perdida?


— Não… Tô procurando um caderno. De papel, sabe?


— Mas ela não pediu pelo aplicativo.


— Ahh... — O semblante do homem muda. Vira-se para a jovem. — Daiane, volte ao trabalho, sim? Deixa que o pai resolve.


A moça sai. O homem se aproxima e nós começamos a andar pelo lixão.


— Eu usei muito caderno. Gostava de escrever poesia.


Finalmente alguém me entende!


— Me disseram que eu poderia conseguir um aqui…


— Até pode. Só vai ser difícil. É preciso revirar muito lixo.


O telão se acende, fazendo barulho.


— Zé, é pra você!


— Não posso atender agora — o senhor grita. — Passa pro próximo!


— Maluco… — alguém cochicha.


— Qual é a desse painel?


— Toda vez que alguém faz um pedido pelo app, o telão apita, mandando a demanda pra um catador. Aí a gente cata o lixo, dá baixa e vai acumulando digimoedas.

Isso também soa familiar. Ele começa a escalar uma das montanhas.


— E dá pra viver disso?


— Ah, é um negócio bom, não falta serviço. No início era melhor, eu chegava a tirar três salários por mês. Mas aí muita gente começou a se cadastrar como catador e o app baixou o preço por peça. Agora tenho que trabalhar em dobro e não ganho nem metade de antes.


Ele vai atirando alguns objetos: bateria, mouse, cabo USB…


— Não paro nem no domingo, senão eu caio no ranking e aí eles não mandam mais pedidos para mim. Mas não me queixo. Pelo menos eu não tô desempregado.


Ele some entre o monte de resíduos. Cruzo os braços. O telão pisca de tempos em tempos, os trabalhadores de lá pra cá com suas peles cinzas, seus corpos cadavéricos. De vez em quando alguém grita por socorro, foi soterrado pelos entulhos. A ajuda demora, ninguém aqui pode parar.


Depois de horas, seu Zé volta com um caderno amarelado. O arame está amassado e as páginas grudadas pela umidade. Aceito, mais pelo suor no rosto dele do que pela serventia do objeto.


— Olha, eu não tenho digimoedas, mas tenho uma nota de dez reais, quem sabe o senhor consiga trocar…


— Não, minha filha — ele dá um sorriso banguela. — Fica de presente pra você.


Encaro o rosto enrugado, as costelas salientes sob a pele. Como pode alguém que sequer tem dentes doar um caderno?


Agradeço e ele me acompanha até a parada mais próxima, que fica bem distante. Faz questão de me dar um vale. Já nos degraus do ônibus, levanto os olhos para o céu e estanco. Um dinossauro se ergue por cima das montanhas de lixo ao longe. Cruza os bracinhos em frente ao corpo e boceja.


— Ele não foi extinto? — Pergunto, incrédula.


— Que nada! — Seu Zé responde, mostrando as gengivas azuis. — Ele sempre esteve aí.


Nesse momento, a porta se fecha e o ônibus arranca.



Conheça a Lícia Mayra


Lícia Mayra é piauiense, servidora pública e inventou de ser escritora para tornar a vida mais interessante. É autora de "Rogai por nós", noveleta de não-Natal disponível na Amazon, participou da coletânea "De corpo inteiras" produzida pelo coletivo Escreviventes, e Lícia publica microcontos semanalmente no Instagram.



Quando você decidiu ser escritora?


Os gibis da Turma da Mônica me atraíram para o mundo da literatura. Depois, os paradidáticos da escola. Então, me senti convidada a escrever. Na escola, havia algumas atividades para produzir poesias, pequenas histórias. Peguei gosto por contos e nunca mais parei, ultimamente tenho me atrevido a escrever crônicas.


Quais são as temáticas e elementos recorrentes em suas narrativas?


Ultimamente, tenho dado toques de humor aos meus textos, com boas doses de ironia. Apesar disso, no geral, meu foco é o drama, seja pessoal ou social, como no caso do conto "Quando acordou, o dinossauro ainda estava lá". Gosto de falar sobre desigualdades, preconceitos, envelhecimento e histórias baseadas nas observações do dia a dia. São temas presentes nas minhas leituras.


Falando sobre suas leituras, quais autores e obras você percebe que colaboraram com a construção do seu estilo?


Lygia Fagundes Telles, rainha do meu coração, é minha principal referência. Com ela aprendi a escrever contos. Aprendi a provocar emoções com poucas palavras, a usar o diálogo para revelar os personagens, a mostrar ao invés de contar. Além disso, ela é minha tábua de salvação, sempre que estou bloqueada, leio algum conto de Lygia para destravar. Dalton Trevisan e Rubem Fonseca me encantam pela linguagem crua e temas tabus. Gabriel García Marquez me fez perceber a importância de falar das próprias origens. Com ele aprendi que o regional também é universal. Recentemente também descobri a Ana Paula Maia e devorei quase todas as obras dela em sequência, e acho que ela tem influenciado minha maneira de pensar e escrever meus personagens


Você participou de concursos, antologias, revistas? Conta um pouco da sua trajetória.


Em 2010, eu publiquei, de forma independente, um livro de contos chamado Uma noite Londrina. Em 2013, ganhei o segundo lugar no concurso Prelúdio, que foi realizado na Universidade Federal do Piauí.


Em 2020 consegui publicar um conto na antologia Meus filhos, meu tesouro, da editora PerSe. Desde o ano passado tenho procurado participar mais de editais e submissões. Também publiquei Rogai por nós na Amazon, através do selo Damas Douradas, idealizado pela escritora Katherine Salles. Em 2021 participei da coletânea De corpo inteiras, do coletivo Escreviventes.


Eu queria saber, pra você, quais são as maiores dificuldades pra um escritor independente?


Acho que lidar com as várias atribuições para além da escrita. Quem publica de forma independente tem que aprender a divulgar seu trabalho sozinho, e isso inclui estudar sobre marketing, algoritmos de redes sociais, design, fotografia, etc. Tudo isso toma um tempo que poderia ser usado para escrever. E, considerando-se que o escritor independente raramente vive da escrita e tem outro trabalho como ganha-pão principal, organizar essas múltiplas tarefas se torna ainda mais desafiador.


Pensando nessa questão, como você tem divulgado sua literatura?


Como quase todo escritor que conheço, sou péssima em divulgar meu trabalho. Sair da toca e me assumir escritora já foi um desafio enorme. Tenho divulgado no Instagram, que é a rede social do momento e com a qual tenho mais afinidade, sobretudo através da publicação de minicontos e outros textos. Na época do lançamento de Rogai por nós, fiz, juntamente com as demais autoras do selo, parcerias de divulgação com bookstagrans e rodas de leitura coletiva. No mais, acredito que, para um escritor formar um público leitor, é importante primeiro perder a vergonha de divulgar, e, depois, valorizar quem te acompanha e conhecer e apoiar o trabalho de outros colegas.


Aprendi que a escrita não precisa ser solitária, que conhecer outros escritores iniciantes ou independentes que estão no mesmo barco que você é uma experiência riquíssima. O selo Damas Douradas me mostrou que, juntas, escritoras podem ir muito mais longe.


Muito bom! Só contextualiza pra mim o que é o selo Damas Douradas, quem mais faz parte e qual a proposta?


O selo Damas Douradas foi criado pela Katherine Salles. Através dele, foram lançadas 12 noveletas de Natal e 1 de ano novo nos meses de novembro e dezembro do ano passado. Cada uma das obras foi publicada de forma individual na Amazon, porém todas estão atreladas à proposta e à identidade do selo, então a divulgação e as parcerias foram pensadas coletivamente. Participaram, além da Katherine e de mim: Karoline B. Santos, Noemi Reis, Jéssica Mamede, Letícia Kartalian, Naah Souza, Nayara Bacelar, Amanda Leandro, Roberta Ouriques, Raquel Cavalcanti e Gabriela Emídio. Todas são autoras independentes, algumas com vasta publicação, outras iniciantes. A experiência foi um sucesso, e o selo se mantém publicando algumas traduções e com projetos de publicações coletivas no futuro. A proposta do selo é de impulsionar a publicação de escritoras independentes


Como foi a concepção do conto "Quando acordou, o dinossauro ainda estava lá?"


Foi um conto muito gostosinho de escrever e, originalmente, foi inspirado em uma escritora daqui do Piauí, a Clara Melo. Mas depois da reescrita muito da Clara se perdeu na história. A Clara é virginiana e um dia quase enlouqueceu, porque não conseguia mais encontrar agendas tradicionais, essas com data e tudo, pra comprar, só encontrava planners, desses que você personaliza como quer. Ela também tá passando por um perrengue com a reforma do apartamento dela. Aí, na ideia original, a protagonista era uma virginiana que, após muito tempo enclausurada por causa da reforma, finalmente sai de casa em busca de uma agenda. Mas não fazia sentido uma reforma durar tanto tempo sem que o dono tivesse contato com ninguém. Além disso, pra que Clara precisaria de uma agenda após tantos anos? Por isso mudei para uma escritora, acho que assim o leitor consegue acreditar na personagem.


E seu conto é uma verdadeira ficção especulativa, não é? Pois não é só o caso da extinção do papel, mas todo um "avanço tecnológico" através, por exemplo, da invenção do anunciador, do bloqueador, das digimoedas, o trampo dos catadores... Foi divertido imaginar esse mundo funcionando.


Sim, tentei imaginar como seria se o mundo tecnológico tomasse de conta do mundo real. Fico feliz com esse feedback. E, na real, pelo ritmo que as coisas vão, é mais fácil esperar mais precarização do trabalho e vazamento de dados do que carros voadores em 2036.



E a última pergunta é sobre os seus projetos futuros e atuais?


Tem o romance, cujo título provisório é O Voo do Gavião, que está em fase de revisão. Ele acabou de voltar de algumas leituras betas e eu estou trabalhando novos capítulos e ajustes. A minha meta é colocá-lo no mundo até o final de 2021.


O romance fala sobre uma garota chamada Glória que, por ser sexualmente ativa, sempre foi considerada como a "puta" do interior na cidade onde mora. Após uma festa, vazam fotos íntimas dela e, por causa da disputa eleitoral, o caso ganha notoriedade na mídia, dividindo opiniões. Tudo isso é contado sob a ótica de Giancarlo, versão masculina de Glória, que é considerado o garanhão do local. A ideia é trabalhar culpabilização da vítima, sexismo e sexualização infantil.


Além disso, sigo publicando pequenos textos no Instagram e participando de seleções de revistas e antologias vez ou outra. Também participo de um clube de escritoras organizado pela autora Carla Guerson e, recentemente, passei a fazer parte do coletivo @boracronicar, que reúne cronistas femininas no Instagram. Todo mês, escolhemos um tema, mas cada escritora tem liberdade para publicar crônicas temáticas ou livres. O Coletivo foi idealizado por Fernanda Carvalho e, embora todas sejam livres para escrever sobre o que quiserem, os temas giram em torno do feminino, do amor e do eterno inconformismo com as desigualdades.



Revisão por Elisa Fonseca

Edição e entrevista por Filipo Brazilliano


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