Ray Tavares: das fanfics para as telas de cinema

Atualizado: Ago 22

Os primeiros passos a caminho da escrita


Ray Tavares se aventurou na literatura como muitos de nós. Devorava quadrinhos da Turma da Mônica e leu livros de romance adolescente como Meg Cabot. Entre lidas é que surgiu a vontade de escrever. Incentivada por amigas, começou a colocar os seus anseios jovens nas páginas. Contrabalanceava a vida agitada e virtual das fanfics com a pacata realidade de uma garota tímida.


A conquista da liberdade autoral,

das fanfics para os originais


Seus primeiros escritos surgiram no ano de 2006 através do site Fanfic Addiction, em seguida conheceu a plataforma Fanfic Obsession, que ainda permanece ativo. A estrutura desses dois sites segue a linha do Wattpad, porém, com um diferencial importante, é voltado, essencialmente, para fanfics.


Não conhece o termo? Pois venha cá que eu lhe apresento. Fanfictions, são textos escritos por fãs reinterpretando os personagens. Não existe um gênero específico para uma fanfic. Elas podem ser de horror, ficção científica, romance, não importa. Para ser uma fanfic basta que os personagens já existam em outro universo.


Depois de conquistar um grande público nessas plataformas, Ray Tavares criou o Clube de Autoras, que, por acaso, também permanece no ar. A primeira versão do site foi hackeada e as autoras fizeram a versão do Tumblr. O clube, originalmente, foi criado por Ray, Bela Deville e Letícia Black. O interessante sobre as histórias de Ray dentro desse espaço é que os nomes dos personagens podem ser modificados conforme o gosto do leitor. O que transforma a experiência em algo bastante pessoal. O sucesso do site foi tão estrondoso que chegou a ter vinte e cinco mil inscritos. É curioso saber, também, que o clube se tornou outro projeto o “Universo Paralelo


Foi somente em 2014, que Ray migrou para o Wattpad, levando consigo uma multidão de fãs cultivados ao longo de nove anos de escrita. Nessa passagem, a autora decidiu republicar algumas fanfics já prontas, como a sua primeira “Gossip boys", uma mistura entre os músicos da banda Mc Fly com a famosa série de TV. Outras fanfics como “Amor de Verão”, dedicada à antiga boy band One Direction também foram relançadas, surpreendendo a autora com a boa receptividade da plataforma. Ao todo, Ray Tavares lançou nove obras no Wattpad, tendo uma se sobreposto às outras pela popularidade.


A escrita como ganha pão,

da literatura ficcional ao roteiro


Os 12 Signos de Valentina” foi um dos vencedores do prêmio Wattys 2017, pelo voto popular, e foi justamente esse livro que lhe abriu as portas para a editora Record, iniciando sua carreira profissional. O livro teve os direitos vendidos para a Boutique Filmes, e a sua carreira de escritora decolou. Ray escreveu mais dois livros para a Record, “Confissões de uma ex popular” e “Heroínas”. Atualmente está escrevendo seu quarto livro para a editora, “As vantagens de ser você”.


Quando Ray viu a possibilidade de ser roteirista decidiu investir e estudou “Formação de Roteiristas” e “Oficina de Séries Para a TV” pela Roteiraria. Seu primeiro projeto foi uma “Robin”, uma adaptação de seu conto no livro “Heroínas”. Ele venceu como melhor pitching e segundo melhor roteiro de piloto no FRAPA 2019. Ray Tavares teve outros trabalhos como roteirista, alguns solo, outros em parceria, como “Bugados” e “Aô Sofrência”. Possui ainda projetos não anunciados com as produtoras Boutique, Sentimental Filmes e Scriptonita.


As entrelinhas e desafios de Ray Tavares


Em 2018, Ray conheceu seu segundo grande amor, o roteiro. A literatura permanece sendo o primeiro. A autora mantém o triângulo amoroso com muito esforço. Dentro do roteiro, sua dificuldade é a falta de sentimentos, que dentro do gênero é representado pela interpretação dos diretores e atores. Já dentro da literatura a ausência de forma e estrutura física lhe faz falta. A autora descreve um pouco da percepção que teve das dificuldades nessa fala:


“Para quem acha que essa migração vai ser fácil, eu digo que é bem complexo. O ato de escrever é igual, mas a forma é completamente diferente. A literatura acaba te dando uma liberdade maior para mostrar quem é o escritor. A pessoa que lê algum livro meu sabe quem eu sou, sabe no que eu acredito. Você acaba sendo mais livre até em uma questão ideológica. O audiovisual acaba te podando um pouco porque é um público mais macro. No audiovisual há tanto dinheiro, tanta pesquisa de marketing, tanta coisa, que você acaba privando um pouco a sua voz autoral.”


Há uma série de circunstancias que levaram Ray ao sucesso e podemos apontar algumas. As suas referências musicais, literárias e audiovisuais se enlaçam no universo Pop. Ela consome, interpreta e produz obras repletas de temáticas e elementos direcionados ao seu público alvo, o infanto juvenil. Mas, por trás dos clichês existe um respeito importante para que as suas obras se destaquem.


“Meu estilo é reconhecer que o adolescente é completamente capaz de consumir uma série sobre qualquer assunto que a gente levar para ele. Eu acho que estamos tratando adolescentes um pouco como idiotas”.


Portanto, em suas obras encontramos dramas, feminismo, ansiedade e outras questões que dialogam com os problemas do mundo. A sua literatura, além de leve, possui a estruturação bem construída e a profundidade necessária para levar a mensagem de temas importantes aos jovens.


Ray Tavares é um excelente exemplo de como a leitura e a escrita podem levar o autor a patamares inimagináveis, independente de sua origem. As fanfics carregam o preconceito de muitas pessoas, que provavelmente não sabem que grandes obras surgiram pelo mesmo processo. Romeu e Julieta, do aclamado Shakespeare foi escrita a partir de elementos do poema “A Trágica História de Romeu e Julieta”, de Arthur Brooke. Outro exemplo é o musical “Hamilton”.


Para conhecer mais sobre a Ray Tavares e sua transição, experiência com roteiro e audiovisual, esse conteúdo precisará ser acessado em duas partes. A segunda você acessa lá no feed da @writersroom51 ou no site.



Pesquisa: Jessica Gonzatto, Guilherme Zanella e Elisa Fonseca.

Matéria, edição e revisão: Elisa Fonseca

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