Resenhando as aventuras do garoto chamado Tony Louco, de Raphael Coutinho



Antes de tudo é preciso entender que estamos falando de um “romance de formação”, ou bildungsroman, que é o termo inglês referente a este tipo de construção narrativa. Pode ser que vocês não estejam familiarizados com o termo, por isso farei uma breve apresentação: este tipo de romance acompanha a vida de um personagem desde a sua infância até a maturidade e temos excelentes obras nesse modelo, só que isso é assunto para outra hora. Retornando aos livros de hoje, Raphael Coutinho escolheu trabalhar a vida de Tony através de uma trilogia, lançada pela editora Coerência.


Anthony, o protagonista da obra “O garoto chamado Tony Louco”, vivia em uma família tradicional de classe média alta, mas tudo muda quando seu pai, Antônio, se vê falido e a família vive um longo e doloroso processo de desgaste. Seus pais se separam e Anthony, agora morando com sua mãe, Mariana, precisa estudar em uma escola pública do subúrbio. É interessante o fato de que acompanhamos esse choque de realidade em uma sociedade bastante diferente da atual, com detalhes que remetem aos anos 90 como a tecnologia da época e a liberdade dos jovens de transitar com mais segurança.


Voltando para a trama, vemos Anthony fazendo suas primeiras descobertas adolescentes, junto de um grupo de amigos que se autodenominam “os farofeiros”. Num certo dia, porém, o garoto se vê apaixonado por Carol, a garota mais popular do colégio, o que o motiva a se transformar no “Tony louco”, trazendo uma série de escolhas duvidosas, cujo objetivo consiste em conquistá-la. No entanto, ao longo do livro, Tony percebe quais laços realmente importam e tenta retomar alguns passos dados.


Demorei poucas horas para completar a leitura do livro, porque a fluidez da escrita de Raphael Coutinho chama a atenção. Aliás, não só a escrita, como o projeto editorial é ilustrado, possui desafios interessantes para o público alvo e atinge o objetivo de conversar com o público. Outro título que me surpreendeu, foi a sequência “Onde está Tony Louco”, principalmente porque a linguagem parece amadurecida e apropriada para a idade do personagem, que agora se encontra mais velho e tendo que lidar com as consequências de seus atos. O tempo de leitura desde foi equivalente ao anterior.


Nesse livro Tony decide mudar de vida morando junto de seu pai, sua madrasta, Roberta, além de seus dois meio-irmãos Miguel e Ivana, que é autista. A vida de Tony nessa obra se torna um inferno, não por suas ações, mas pela perseguição que sofre dentro de casa, através de sua madrasta. Quando ele conhece Camille, suas trilhas tomam um novo rumo. Essa amizade modifica as ações de Tony, que tenta ajudá-la como pode, mas também influencia sua vida familiar e amorosa.


É interessante notar que no primeiro livro, Raphael desenvolve com muita profundidade o relacionamento de Tony com sua mãe, mas nesse segundo vemos o relacionamento com seu pai se enredar ao longo da trama. Assim, conseguimos ver as qualidades e os defeitos de cada um. Aliás, o desenvolvimento dos personagens é um destaque a parte nessas duas obras.


Recomendo “O garoto chamado Tony Louco” e “Onde está Tony Louco” não somente para os jovens, mas para todos que mantém a chama da juventude viva dentro de si, porque essas duas obras, e acredito que o terceiro livro trará a mesma sensação, nos despertam desejos de se aventurar, tais como os que movem os personagens, além de tramas universais, como conflitos de relacionamentos e auto descoberta.


Conheça o autor Raphael Coutinho


@raphael_coutinho

Raphael Coutinho, é autor das obras O garoto chamado Tony Louco e Onde está Tony Louco, ambos livros lançados pelo Grupo Editorial Coerência, por onde também foi contemplado com o prêmio Autor Revelação em 2019. Na Perpétua, já participou outrora com um crônica chamada "nada além de mim" sobre a solidão da quarentena, e reveza o IGTV da revista com videos compartilhando sua jornada literária.


Resenha por Elisa Fonseca

Edição e revisão por Elisa Fonseca

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