Uma viagem aos filmes de terror, segunda parte

Atualizado: 24 de Out de 2020

A figura do monstro nos primeiros filmes de terror.


Não, os primeiros filmes de terror não começaram com entidades espirituais malignas possuindo o corpo das pessoas. Para o cinema clássico, ou seja, pioneiro, a figura do monstro em si já caracterizava um filme como de terror. Monstro é terror para o cinema clássico, ou seja, causar medo não era o objetivo nos primórdios do gênero. Nesse sentido, ao analisarmos a figura dos monstros no começo da trajetória de sua história, identificamos também o pioneirismo de diversas outras artes fundamentais paralelas, como, por exemplo, as artes plásticas, a maquinaria, os efeitos especiais e a maquiagem tridimensional, ainda primitivas e experimentais. Mas, talvez vocês perguntem: então, como funcionou a primeira versão de um monstro na primeira longa-metragem de terror da história, exatamente? Os monstros não eram performados por atores?



Para essas perguntas eu vós respondo: "A Conquista do Pólo" (em inglês, "The Conquest of the Pole", em francês "La Conquete du Pole"), filme de 1912. Esse foi escrito, dirigido, estrelado e construído pelas mãos do gênio máximo da sétima arte, o cineasta e mágico francês George Méliès. O qual também escreveu, dirigiu e atuou no primeiro curta-metragem de terror (ver o post anterior). Mas o que faz de "Conquista do Pólo" um filme atemporal e revolucionário para a trajetória do gênero dos filmes de terror e de monstros é justamente a utilização das artes plásticas e da relojoaria (antecessora a maquinaria), para a construção de um boneco de gesso de sete metros de altura que interage, por movimentos robóticos, com os atores em cena. Dessa forma, não, o primeiro monstro de longa metragem não foi interpretado por um ator. O primeiro longa de terror reconstruiu o pouco explorado Polo Norte como fundo cênico e utilizou um monstro artificial feito à mão para caracterizar os mistérios contidos naquelas terras.



21 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo