Vale a pena reler livros?

Atualizado: 29 de mai.


Por Tatiane Lucheis


Começo o texto de hoje com uma pergunta polêmica: Você relê livros? Por qual motivo?

Eu realmente acho que a vida é muito curta para ler todos os livros que que desejo conhecer. Sei que algumas pessoas veem a releitura de obras como um “desperdício de tempo”. Afinal, para que reler os mesmos livros, se ainda há tantos novos para descobrir?


Mas eu te garanto que há bons motivos para revisitar um livro. Além de tipos diferentes de leituras, que também geram experiências diversas.

Se você quiser entender melhor do que eu estou falando, siga a leitura até o final para descobrir algumas das experiências que uma releitura pode te proporcionar e, de quebra, receber algumas dicas sobre boas oportunidades para dar uma segunda chance a um livro da sua estante.


Vamos nessa?



Tipos de Livros

Em primeiro lugar, você precisa ter uma razão que te motive a voltar a um livro, concorda? Isso dependerá de acordo com o tipo de livro. Vejamos alguns exemplos:


  • Livros Teóricos: podemos estudar um mesmo tema em diferentes momentos de nossas carreiras. Além disso, uma releitura também pode ajudar a assimilar melhor alguns conceitos, caso você esteja lidando com muitas informações. O interessante é que cada experiência pode ser muito particular, uma vez que a cada leitura carregamos uma bagagem maior de conhecimentos. Você pode reler o livro todo, alguns trechos, ou então as anotações que fez ao longo da primeira leitura. Livros teóricos são um excelente material de estudo e, por isso, devem ser lidos sempre que necessário;

  • Livros de Consulta: esses talvez não configurem uma releitura propriamente dita. Mas são aqueles livros que servem para tirar dúvidas – podem ter os principais conceitos de uma área, modelos, citações, exemplos, dicas ou sugestões. É o famoso “livro de cabeceira”, ao qual você pode retornar sempre que tiver uma dúvida ou curiosidade. A ideia não é reler o livro inteiro, mas procurar exatamente aquilo que te interessa em determinado momento. Em resumo, são livros que devem ficar à disposição para eventuais consultas;

  • Biografias: se você admira uma celebridade, político ou qualquer personalidade, pode se interessar por consumir sua biografia. Porém, esse tipo de leitura pode ser densa para ser feita toda de uma vez. Por isso, assim como nos livros de consulta, você pode retornar às biografias sempre que desejar, caso queira se lembrar de um evento em especial, de uma citação, ou passagem marcante. O maior objetivo ao ler uma biografia é se inspirar, então é esperado que isso aconteça mais de uma vez;

  • Livros de Ficção: a literatura pode ser uma grande companheira ao longo da vida. Por meio da ficção, temos a oportunidade de viajar para diferentes mundos e realidades, mesmo sem sair do lugar. Mesmo sem um objetivo formal, um livro pode ser relido simplesmente porque você deseja ter um novo encontro com ele. Você pode querer reviver uma experiência ou então dar uma nova chance a uma história. É sobre isso que falaremos nos próximos tópicos.


7 Motivos para reler um Livro

Em geral, quando você pergunta a alguém o motivo dessa pessoa querer reler um livro, a resposta é simples: porque gosto dele! Quando criamos uma conexão com uma história, podemos sentir o desejo de reviver a experiência. Mas os motivos podem ir muito além disso. Confira!


  1. Para matar a saudade: é o motivo número um mesmo. Quando gostamos de uma história e de seus personagens, a experiência de retornar ao livro pode ser muito satisfatória. Aquela nostalgia gostosa, sabe? Uma sensação de familiaridade. Por isso, não hesite em revisitar seus velhos amigos;

  2. Melhor compreensão: seja um livro teórico ou ficcional, o fato é que algumas obras podem ser bastante densas, e talvez não dê para absorver tudo em uma única leitura. Por isso, você pode voltar em busca de alguns detalhes ou mesmo do pacote completo, tentando assimilar melhor o conteúdo. Uma segunda leitura pode te ajudar a compreender melhor as ideias do autor;

  3. Apreciar a obra: algumas obras são tão boas – seja na construção da narrativa, nos conceitos apresentados, ou mesmo nas frases bonitas e memoráveis – que você pode querer retornar por puro prazer, e não tem problema nenhum nisso;

  4. Resgatar conceitos: lembra que falamos sobre os livros de consulta? Um dos motivos para retornar a uma leitura pode ser a vontade de relembrar um conceito ou frase. Uma segunda leitura te permite achar os pontos chave com mais facilidade, então volte ao texto sempre que necessário;

  5. Absorver detalhes: alguns livros têm uma narrativa tão rica e detalhada que, por mais façamos uma leitura atenta, é difícil absorver todos os detalhes. Por isso, você pode retornar a ele depois de conhecer a trama central e, assim, conseguirá prestar atenção a sutilezas que tenham escapado em seu primeiro contato com a obra;

  6. Ler a história sob outro ponto de vista: após algum tempo e com uma nova bagagem, podemos ter um outro olhar sobre a mesma obra. Ler um mesmo livro no primeiro e no último ano da faculdade, por exemplo, podem proporcionar experiências completamente diferentes. O mesmo vale para um livro lido na adolescência e relido na vida adulta. Recomendo fortemente a experiência;

  7. Dar uma segunda chance: simples assim. Sabe aquele livro que você tentou ler e não gostou? Mas todas as pessoas parecem falar bem dele e você se pergunta o motivo de não ter se conectado com ele… Talvez você possa experimentá-lo novamente depois de algum tempo. Por mais que o livro permaneça o mesmo, você com certeza já mudou.


Tipos de Releitura


Ler um livro pela primeira vez é como abrir uma janela: você ainda não sabe o que vai encontrar, mas há todo um mundo te esperando do outro lado. Você pode ter um vislumbre inicial da história, mas é aos poucos que uma imagem vai se formando à sua frente. Nesse sentido, uma segunda leitura pode oferecer uma experiência diferente. Como você já sabe o que vai acontecer, está mais confortável para prestar atenção e absorver detalhes. Desta vez, por não estar tocado pela curiosidade, pode fazer uma leitura mais crítica e reflexiva.

O fato é que a maneira como interpretamos um livro tem muito a ver com o nosso momento presente. A cada leitura, você será influenciado pelo conjunto de sentimentos, conceitos e opiniões que fizerem parte de seu cotidiano.

E é justamente essa a mágica do reencontro com uma obra!


Segundo o dicionário, “releitura” é a ação de interpretar novamente alguma coisa, acrescentando algo novo e original. E é exatamente isso o que fazemos ao nos depararmos com novos sentidos ao ler as mesmas páginas mais uma vez.

Eu acredito que existem dois tipos de releituras. Às vezes, reler um livro é como reencontrar um velho amigo e descobrir que algumas coisas nunca mudam. É encontrar conforto, voltar para um lugar conhecido. Da mesma forma que nos deliciamos com séries ou filmes que já memorizamos até as falas. Me refiro aqui àquelas leituras íntimas, acompanhadas de bastante nostalgia.


Por outro lado, às vezes nos deparamos com uma mesma obra em diferentes momentos da vida, e a cada leitura é possível ter uma percepção diferente, afinal, carregamos nossa própria história e bagagem de experiências, estamos em constante mudança.

Então, é possível que um livro que você tenha gostado uma vez possa não te agradar em uma releitura. E, ao contrário, um livro que não tenha agradado no início, pode ser uma boa surpresa na segunda tentativa, mudando completamente sua opinião sobre ele.

Oportunidades para reler um livro

Se você fica naquele impasse entre ler um livro novo ou reler um já conhecido, se liga nessas dicas de momentos que podem ser boas oportunidades de embarcar em uma releitura:


  • Aprendizado: quando você precisa estudar e aprender – ou reaprender – um conceito, e decide recorrer às referências de sua área;

  • Lançamento de novas edições: se você for um colecionador de livros como eu, ocasionalmente deve se encantar com o lançamento de uma nova edição de uma obra já conhecida. Acertei? Quando comprar um livro repetido, pode aproveitar o momento para entrar em contato com a obra novamente, desta vez na nova edição;

  • Antes do lançamento de uma adaptação: sabe a alegria que dá quando um livro que a gente gosta vai receber uma adaptação nos cinemas ou então virar uma série? Antes de assistir a nova versão da obra, você pode querer se reencontrar com a original;

  • Antes do lançamento da continuação: quem acompanha séries ou sagas, sabe que às vezes um novo volume pode demorar tanto para sair que a gente mal lembra em que ponto a história parou. Reler os volumes já lançados pode ser uma boa oportunidade de relembrar os detalhes e voltar para a familiaridade daquela história. Desta forma, com certeza o lançamento será mais bem aproveitado.

  • Ler em outro idioma: uma dica para quem está aprendendo outro idioma é ler um livro já conhecido. E essa é uma dica dois em um, você tem a oportunidade de retornar a uma história conhecida e pode ler no novo idioma algo que já conhece e tem familiaridade com o contexto;

  • Participar de um clube do livro: com as redes sociais, é cada vez mais comum ver leitores se reunindo para discutir suas obras favoritas. Isso deu força ao chamado “Clube do Livro” que, apesar de suas variações, consiste basicamente em um conjunto de pessoas que lê a mesma obra dentro de um prazo combinado e depois se reúne para compartilhar impressões e trocar experiências.

Chegamos a uma conclusão?

Não sei, essa resposta é muito pessoal. Então vou deixar que você me conte aqui nos comentários para continuarmos essa conversa.


É claro que nem todos os livros precisam ou devem ser relidos. Crie critérios para selecionar as obras que você deseja reler, de acordo com seus objetivos e suas vontades. Você não precisa se forçar a fazer uma leitura, especialmente se estiver lendo por lazer.


Eu acredito que vez ou outra precisamos retornar às bases, ou mesmo dar uma nova chance. O importante é o quanto uma releitura nos faz florescer, pois além do conteúdo absorvido, temos a oportunidade de nos reencontrarmos com nós mesmos, descobrindo o quanto mudamos entre uma leitura e outra.



Links da autora: Medium/Instagram


Artigo por Tatiane Lucheis
Revisão e edição por Elisa Fonseca
Edição de imagens por Filipo Brazilliano
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